AlôArtista Google
 
MY ACCOUNT
REGISTER NOW!

Academia de Letras do CEU Jaçanã
11/05/13 às16h - ENTRADA GRATUITA. Share in Facebook Share in Orkut Share in MySpace Share in LinkedIn Share in Digg Share in Delicious

Todas as atividades são GRATUITAS!



CENTRO EDUCACIONAL UNIFICADO JAÇANÃ

CEU JAÇANÃ

Rua Antonio Cesar Neto, 105 - Jaçanã - São Paulo - SP
Telefone: (11) 3397-3950

Facebook perfil I:www.facebook.com.br/ceujacana
Facebook perfil II:www.facebook.com.br/ceujacanaII
Twitter: @ceujacana


******************************************

www.aloartista.com
"O melhor ponto de encontro de artistas da Internet"




Lucas Dupin ministra palestra para o Projeto Aula na Biblioteca.
23/04/13 na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa em Belo Horizonte. Share in Facebook Share in Orkut Share in MySpace Share in LinkedIn Share in Digg Share in Delicious

Na próxima terça-feira, 23 de abril, às 15 horas, a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (Circuito Cultural Praça da Liberdade) promove, no hall do Setor de Coleções Especiais, o projeto Aula na Biblioteca. O tema deste mês é ‘A Biblioteca, o Livro, o Leitor: apontamentos na produção artística contemporânea’, com o palestrante Lucas Dupin.

A partir de um grande recorrido de imagens de trabalhos de artistas que tem em comum o universo do livro, em seu sentido amplo, a palestra visa estimular os participantes a pensarem os desdobramentos contemporâneos do livro fora de seu suporte estritamente material.

As sugestões de leitura são os livros ‘A casa de papel’, de José Maria Dominguez, e ‘O livro de areia’ e ‘A biblioteca de Babel’, de Jorge Luís Borges.

Haverá emissão de certificado ao final da palestra.

Lucas Dupin

Lucas Dupin é mestre e bacharel em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG. Participou de exposições e residências artísticas no Brasil e no exterior, além de ministrar cursos e desenvolver projetos de encadernação.

SERVIÇO

- Evento: Projeto Aula na Biblioteca
- Tema: ‘A Biblioteca, o Livro, o Leitor: apontamentos na produção artística contemporânea’
- Palestrante: Lucas Dupin
- Data: 23 de abril
- Horário: 15 horas
- Local: Hall do Setor de Coleções Especiais - Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa
Endereço:  Praça da Liberdade, 21 - Belo Horizonte - MG
- Entrada Franca
- Detalhe: Haverá emissão de certificado
- Mais informações: (31) 3269-1209


******************************************
www.aloartista.com
"O melhor ponto de encontro de artistas da Internet"




INTERNET: O MELHOR AMIGO DO ARTISTA
Solitário. Esse é o adjetivo que melhor caracteriza o cotidiano do artista... Share in Facebook Share in Orkut Share in MySpace Share in LinkedIn Share in Digg Share in Delicious

Por Rubens Junior *

Solitário. Esse é o adjetivo que melhor caracteriza o cotidiano do artista. Pois, mesmo que o trabalho seja em equipe, mesmo que o ambiente esteja lotado de colaboradores, mesmo que hajam milhares de fãs aguardando para prestigiar o projeto finalizado, o artista precisa de total solidão enquanto idealiza, projeta e cria sua obra de arte. Seja ele músico, pintor, escultor, desenhista, poeta, escritor... todo artista vive num covil de solidão.

E não é por opção. É por pura necessidade, pois é impossível desenvolver todos os processos da obra de arte em conjunto. A inspiração é muito pessoal. A idealização e criação pode até ter colaborações, sendo discutida, argumentada e decidida. Mas, na hora de realmente por a mão na massa, cada artista vai para o seu canto produzir sua parte sozinho.



Eu, como ilustrador, tive que desenvolver o famoso "mecanismo de bloqueio externo", para conseguir produzir minhas artes na escola enquanto todos falavam, no emprego enquanto todos opinavam, e em casa enquanto todos fazem tudo. Mas não são todos que conseguem desenvolver este mecanismo. Não é a toa que a maioria dos artistas produz a noite, pelas madrugadas, quando há silêncio, quando o telefone não toca, quando ninguém está incomodando.

Porém, criar uma obra de arte, na maioria das vezes leva muito tempo. E, somado as distrações diárias, leva mais tempo ainda. Então o artista é "obrigado" a ser recluso enquanto trabalha, para evitar que as distrações comunitárias prolonguem o processo do seu trabalho.

Mas artista também é ser humano. Também é gente comum, que precisa de amigos, companhia, bate-papo, interatividade. Então ele sempre viveu neste limbo entre precisar ficar só para produzir e, ao mesmo tempo, não afastar as pessoas do seu convívio. Sempre foi impossível fazer isso. Todo verdadeiro artista sempre sofreu disso, sempre precisou lutar no seu cotidiano para conciliar a necessidade da solidão para criar com a necessidade de companhia para viver.

Perceba que os maiores artistas do mundo sempre tiveram muita dificuldade no convívio social, nunca ficaram muito a vontade entre muitas pessoas. Por optarem valorizar sua arte em primeiro lugar, a educação social ficou de lado. E quando aparecem em público, sempre revelam atitudes "estranhas".

Acho que um bom exemplo disso é o Michael Jackson. Um artista genial, o melhor do seu ramo, totalmente impecável na sua arte, mas devido aos vastos tempos que passou praticando para chegar neste nível, nunca conseguiu se adaptar aos padrões sociais mais comuns, mais básicos, mais cotidianos.

Tudo isso, até a chegada da internet.

A internet, sem nenhuma pretensão desse tipo, acabou se tornando a maior válvula de escape dessa categoria de indivíduos fenomenais. Hoje, por mais que as pessoas estejam distantes entre si, nenhum artista vive mais sozinho. Ao compor, ao ilustrar, ao escrever, o artista moderno imediatamente posta seu trabalho ao maior número de pessoas possível, pela necessidade de compartilhar, de ouvir opiniões, de ouvir elogios. Coisa que, no ambiente físico era quase impossível, já que ele precisa estar sozinho para criar.

Com a conta paga, a internet nunca nos abandona, nunca nos deixa sozinhos, está sempre a nossa disposição, com milhares de internautas interessados em interagir com o que quer que o artista queira compartilhar. O público não está com você, mas está. Não está do seu lado atrapalhando seu processo de criação, mas basta clicar, acessar, divulgar, que o público e os comentários aparecem.

E esta grande janela está sendo usadas pelos artistas de todas as formas possíveis. Alguns publicam só o produto final, outros publicam todo o processo de criação, outros criam ao vivo pela webcam, mas todos interagem, todos participam deste relacionamento com a internet. E o fato de todos participarem, é a maior prova do quanto eram (ou são) solitários.

Porém, não só acabar com a solidão, a janela da internet também aumentou infinitamente mais a visibilidade dos artistas, colaborando assim, com a maior divulgação de suas obras, aumentando sua renda. Outro grande problema vivido pela maioria esmagadora dos artistas, que a amiga internet veio socorrer. Quantos artistas que você conhece que nunca tiveram grana para gravar um CD, expor em grandes galerias, trabalhar em boas empresas, se sustentar com seu trabalho, mas conseguiram divulgar e lucrar com a internet? Se pensar, vai lembrar de vários nomes.

Poderia escrever horas sobre as diversas vantagens que a internet proporcionou para os artistas em particular. Mas só o fato de acabar com a solidão, ampliar a divulgação e aumentar a renda, sendo estas as "eternas" maiores dificuldades dos artistas, minha conclusão é simples: não é o cachorro, não é o pincel, nem o violão... a internet é o melhor amigo dos artistas.



* Rubens Junior é desenhista profissional e dirige a agência J. Comunicações. No AlôArtista ele é colaborador em matérias sobre Design e Histórias em Quadrinhos.


rubensjunior@jcomunicacao.com



.



Uma lágrima...
Por Renata Paccola Share in Facebook Share in Orkut Share in MySpace Share in LinkedIn Share in Digg Share in Delicious

Uma lágrima que escorre

traz mais à própria face,

se a cada sonho que morre

há um novo que nasce!



Renata Paccola
é advogada, poeta e escritor, autora dos livros de poemas “De Vulto A Volta” ( Ed. Mirante, 1983 ), “Tempo” (Ed. Scortecci, 2003 ) e “Grilhões de Vidro” (Ed. Scortecci, 2003 ). É Presidente Estadual da Sociedade de Cultura Latina do Brasil (SP) e 1ª Secretária da União Brasileira de Trovadores (UBT), seção São Paulo. Premiada em centenas de concursos literários, no Brasil e em Portugal.
renatapaccola@ig.com.br
(11) 3862-8747




LITERATURA EM QUADRINHOS
Um insulto à literatura ou uma homenagem aos quadrinhos? Share in Facebook Share in Orkut Share in MySpace Share in LinkedIn Share in Digg Share in Delicious

Por Rubens Junior *


Ultimamente, com a crescente popularização dos quadrinhos no cinema, na internet e, principalmente, nas bancas e grandes livrarias, muitos títulos do gênero literário começaram a ser adaptados para quadrinhos, como: Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Otelo, Romeu e Julieta, O Triste Fim de Policarpo Quaresma, entre outros.

Estas adaptações de literatura para quadrinhos deixaram muita gente realmente enfurecida pela predicativa de ser "um menosprezo à literatura, rebaixando-a a meros quadrinhos infantis".

Porém, aqueles que são adeptos desta opinião, infelizmente são parte de uma grande massa populacional que ainda sofre do preconceito hereditário em relação aos quadrinhos e, por isso, não compreendeu que quadrinhos não é um gênero, é apenas uma mídia. Assim como cinema, livros, internet, video game, etc, quadrinhos é mais uma mídia que serve para comunicar temas de qualquer tema ou gênero. Por exemplo: Ninguém sai por aí dizendo que cinema é coisa de criança, ou de adulto, ou de adolescentes, ou de pessoas cultas, ou ignorantes. Cinema é só uma mídia e, nesta mídia, existem filmes para adultos, crianças, adolescentes e qualquer outro gênero de pessoas ou temas. O mesmo serve para livros, internet, quadrinhos, ou qualquer outra mídia.

E, numa grande síntese, quando for lançado um tema, como Os Três Mosqueteiros, ou Os Luzíadas, ou X-Men, ou Os Flinstones, ou O Descobrimento do Brasil, ou qualquer outro tema à ser comunicado, o melhor é que este tema seja lançado na maior variedade de mídias possíveis, para que atinja a maior diversidade do público possível.

Embora haja um interessante argumento popular contra esta múltipla comunicação entre mídias, que diz: "Quando o indivíduo lê os quadrinhos ou vê o filme, ele não se interessa pela leitura do livro", defendendo a mídia "livro" como mais importante que as outras mídias, na vida prática, é o exatamente o oposto que ocorre. Um indivíduo que não possui o hábito de ler livros, muitas vezes é atraído à leitura do livro quando aprecia um bom filme sobre o assunto, ou quando lê os quadrinhos, ou quando joga o jogo do personagem em videogame. Ou seja, essa múltipla comunicação entre mídias de TODOS os temas, inclusive literaturas, só contribuem para o excelente hábito da leitura popular pois, quando não atraído diretamente pelo próprio livro, o indivíduo pode chegar ao livro sendo atraído por estas outras mídias. E o oposto também ocorre, pois quem nunca teve vontade de assistir a um belo filme dos livros de Romeu e Julieta, ou de Otelo, ou Os Lusíadas?

Embora pareça algo novo, literatura em quadrinhos é tão antiga quanto o próprio Brasil. Muitas histórias do nosso país tem sido contadas em forma de arte seqüencial há muito tempo, como: O Guarani, O Descobrimento do Brasil, etc, e foram elas que atraíram crianças e pequenos leitores ao interesse pela literatura.

Seja como for, literatura em quadrinhos não é nem "um insulto à literatura" nem uma "homenagem aos quadrinhos". Jamais podemos julgar uma mídia por um tema ou um gênero, nem vice-versa. Pois qualquer mídia tem o poder e a condição de comunicar com qualidade qualquer tema e gênero, para qualquer público. Basta que hajam profissionais bem qualificados para faze-lo e, estes sim, os autores das obras, podem sim ser julgados como bons, ruins, próprios ou impróprios. Não as mídias.

Para finalizar, indico una excelente literatura, de um excelente autor, adaptada por um excelente quadrinista:



A CACHOEIRA DE PAULO AFONSO
Autor: Castro Alves
Adaptação e Ilustração: André Diniz

Conhecido como o poeta dos escravos, Castro Alves se destaca como um dos mais combativos artistas brasileiros do século XIX. Sua escrita defendia a abolição e estava em estreito contato com os anseios dos povos africanos oprimidos pela escravidão. Nesse contexto, surge Cachoeira de Paulo Afonso, um dos mais eloquentes poemas presentes na obra Os escravos, publicada em 1876. Adaptado por André Diniz, Cachoeira de Paulo Afonso ganha intensas e expressivas ilustrações do autor, aproximando dos leitores contemporâneos a atmosfera emocional da obra original.


------------------------------------------


* Rubens Junior
é desenhista profissional e dirige a agência J. Comunicações. No AlôArtista ele é colaborador em matérias sobre Design e Histórias em Quadrinhos.

rubensjunior@jcomunicacao.com



Rock nas telas e motos na história
Share in Facebook Share in Orkut Share in MySpace Share in LinkedIn Share in Digg Share in Delicious

Na esteira do sucesso das primeiras bandas de rock os magnatas de Hollywood logo esticaram seus olhos cobiçosos para o novo filão e providenciaram rapidinho a produção de dois longas-metragens: um chamado “Rock Around the Clock” (que entre nós se chamou “No Balanço das Horas”) e outro, “The Blackboard Jungle” (“Sementes da Violência”), sobre delinquência juvenil, que usou a música na abertura. Aquela pulsação do ritmo, a sugestão quase explícita de sexo no rebolado “pecaminoso” do vocalista e o clima de festa que tudo sugeria enlouqueciam as pessoas nos cinemas. Todo mundo dançava durante o filme imitando os gestos e a coreografia da tela, desafiando a repressão puritana que há muito tempo vinha conseguindo impor e manter sua rígida disciplina. Muitos confrontos e confusões foram registrados em quase todos os cinemas americanos e depois chegaram ao resto do mundo fazendo toda uma geração de adolescentes e jovens rebolar cada vez mais naquela dança profana e sensual.

Ao difundir de maneira maciça o novo ritmo e a nova dança, esses filmes fizeram com que o compacto “Rock Around the Clock”, um ano depois de seu lançamento, alcançasse o 1º lugar da parada Billboard, a referência oficial do mercado americano. Era o primeiro disco de rock a conseguir essa façanha. A reviravolta que essa música provocou, foi uma coisa espontânea, quase acidental, despretensiosa e bagunçada, que conquistou o mundo sem ter sido imposta. E uma proposta que é aceita pela maioria sem imposição, é autêntica e verdadeira.

Esse sucesso inesperado e a empolgação avassaladora que despertou motivaram um visionário da cidade de Memphis, na Califórnia (sempre lá), chamado Sam Phillips a montar a gravadora Sun, a pioneira da nova moda (e essa é mais uma história pra ser contada em edições futuras).

Depois de “Rock Around The Clock” artistas como Elvis Presley e Chuck Berry conseguiram gravar seus primeiros discos com mais facilidade e deram seqüência ao gigantesco processo de transformação que se instalava no mundo de maneira irreversível. Esses cabeludos que vieram na sequência, com o passar do tempo tomaram as rédeas do novo negócio e o pioneiro Haley acabou se transformando num artista de um único sucesso. Sem participar ativamente da expansão do movimento, passou a viver de shows em excursões pelo mundo (esteve no Brasil em 59 e em 75), sempre tocando “Rock Around The Clock” e “See You Later, Alligator”, outra música sua que o público conhece, mas que nem de longe repetiu o sucesso da primeira. Viveu o resto dos seus dias como “o homem que começou tudo” e morreu em fevereiro de 1981, aos 56 anos.

Na década de 70 Steppenwolf gravou o hino “Born To Be Wild”. As motos passaram a interagir com o rock na identificação das propostas iguais de uma nova forma de vida, mas ainda não tinham chegado aos palcos como aconteceu mais tarde, nem faziam parte da vida de nenhum astro que se utilizasse delas para mostrar mais uma face da sua atitude rebelde e contestatória do sistema. Começavam a chegar às telas com o pioneiro "The Wild One" (O Selvagem), em 1953,
filme que iniciou a trajetória das motos pelas histórias mostradas nos cinemas nas décadas futuras.
Na próxima edição vamos prosseguir com a história e contar o surgimento das bandas pesadas que estouraram a partir do início dos anos 60 e o envolvimento que tiveram com as motos e uma vida de muita aventura. Vamos mostrar mais rock´n´roll nas telas. Vai ser uma longa, e prazerosa, caminhada.

Para fechar esta visita ao mundo fantástico do som e da liberdade, vale citar uma frase de um dos mais famosos, e ativos, integrantes dessa geração de revolucionários da contra-cultura, Timothy Leary, que ficou conhecido como o “papa do LSD” e morreu aos 75 anos de idade contando sua última semana de vida na internet (a dele também é história para outra matéria): “Desconfiem dos chefes, dos heróis. Desconfiem de todas as pessoas de fora que tentam impor a vocês suas estruturas. Façam o que tenham que fazer. Sejam o que vocês são. Se não sabem o que são, descubram”.

Quer atitude mais rock’n’roll do que essa?

http://youtu.be/kUM8JEHtkfc

http://youtu.be/NbStT-0Rm1s

http://youtu.be/VUPh7XWoq7Q




O primeiro rock da História!
Sons e Luzes Share in Facebook Share in Orkut Share in MySpace Share in LinkedIn Share in Digg Share in Delicious

Quando as primeiras bandas de rock começaram a surgir mostrando um som pesado e radical, que também agredia os ouvidos do “establishment” com propostas de uma nova estética musical, rasgada e poluída de efeitos distorcendo as melodias, houve uma imediata identificação dos integrantes das gangues motociclísticas com o movimento. O ritmo acelerado das músicas, a voz empostada ou propositadamente esganiçada com que os roqueiros vomitavam suas letras (no início ainda tímidas e um tanto românticas, mas depois cada vez mais ácidas e corrosivas) contra o sistema, o som distorcido e agressivo das guitarras (elas, por si só, uma estridente novidade aos ouvidos das gerações anteriores) e os espetáculos cada vez mais elaborados e feéricos dos shows, em que a dança e o rebolado (obsceno e extravagante para o puritanismo da época – só pra citar alguns exemplos, os casos de Bill Haley, Elvis Presley, Little Richard e Chuck Berry) eram a mídia que faltava para a expansão do movimento “beat” como um todo.

Alguns consideram o primeiro rock da história, a música “Rocket 88”, lançada em 1951 pelo pianista/cantor Jackie Brenston junto com o guitarrista Ike Turner, futuro marido de Tina Turner. Fizeram um bom barulho, diferente, ousado e irreverente, porém “Rocket 88” não foi uma revolução.

A data oficial do “nascimento” do Rock’n’Roll fica entre os meses de abril e maio de 1954, período em que um “coroa” (já tinha 29 anos e era quase careca) gordinho e sem nenhum traço característico de um rebelde, que tinha uma banda chamada “Bill Haley and His Comets”, gravou e lançou “Rock Around the Clock”. Essa gravação é considerada o marco zero do rock por causa do enorme sucesso comercial que alcançou e pela grande excitação que provocou em toda a juventude. Mas, Haley não estava sozinho na pesquisa dessa batida forte, revoltada, dançante, suingada e carregada de energia e adrenalina. Ele foi o cara que conseguiu sair na frente de todo mundo, pondo a cara pra bater e arriscando todas as suas fichas no projeto. Outros músicos também já faziam suas experimentações acelerando os compassos do rhythm’n’blues, misturando o sentimentalismo e a sensualidade da música negra com o ritmo agitado do country branco. O resultado foi o embrião de uma revolução estética que chegou muito além dos limites da música. Iniciou uma fase de muitas transformações no mundo.

Bill Haley e sua banda já vinham tocando há algum tempo esse novo ritmo em seus shows. Mas eles ainda tinham muita dificuldade para gravar e fazer seus discos chegarem às lojas com regularidade. No dia 12 de abril de 1954, eles entraram no estúdio com a adrenalina a mil e gravaram “Rock Around the Clock” com muita “eletricidade”. Algumas semanas depois, quando o disco chegou às lojas a música virou referência daquele novo som que estava nascendo. Isso não quer dizer que o rock não teria acontecido se Bill Halley não tivesse existido ou não tivesse insistido na sua experiência musical. Possivelmente, estouraria de qualquer jeito, porque foi um movimento universal que envolveu uma geração inteira com sede de liberdade e de uma nova forma de expressão, e um outro artista qualquer seria considerado o “pai do rock”.

Let’s rockin!




Woodstock
Terremoto Cultural. Share in Facebook Share in Orkut Share in MySpace Share in LinkedIn Share in Digg Share in Delicious

Durante três dias do mês de Agosto de 1969 (15, 16 e 17), mais de 400 mil pessoas (entre músicos, tribos de hippies e jovens, principalmente estudantes) vindas de todos os cantos da América viveram o maior festival da história do rock. O evento aconteceu numa fazenda de 600 acres, de propriedade de Max Yasgur, em Bethel, Nova Iorque. Foi o “Woodstock Music and Art Fair”.

O ano era 1969, o último dos tumultuados anos 60, e a palavra de ordem era a defesa da liberdade de espírito, de ideias e de todas as formas de expressão e manifestação artística, pregada pelos escritores do movimento “beatnik”. A guerra do Vietnã era o alvo principal dessa revolta ideológica da juventude contra o “stablishment”. Depois do Monterrey Pop Festival, do Festival de Altamont e da peça “Hair”, Woodstock viria a ser o grande terremoto a abalar o cenário artístico e cultural norte-americano. E mundial!

O Que Foi Woodstock

Chuva, barro, muito rock ‘n’ roll, maconha, LSD, anfetaminas, heroína, danças, sacos de dormir, meditação, cachorros, granola e amor livre foram as marcas registradas desse festival. “Make Love, Not War” tornou-se o slogan oficial e definitivo.

Os ingressos foram vendidos com antecedência e esgotaram-se.rapidamente. Tudo parecia normal e o sucesso do empreendimento, garantido. Mas, aconteceu um fato absolutamente inesperado para os organizadores. Eles esperavam receber um público de cerca de cinqüenta mil pessoas e montaram uma estrutura de serviços e atendimento adequada a essa previsão. Na semana do festival as pessoas começaram a chegar aos milhares vindas de todas as direções do país, viajando de carro, de moto, de carona, de todas as maneiras. Uma multidão de mais de quatrocentas mil pessoas, que veio disposta a participar ativamente dessa primeira grande manifestação coletiva de contestação e ver de perto a performance de vários rockstars que vinham fazendo muito sucesso onde quer que se apresentassem: “Grateful Dead”, “Jimi Hendrix”, “Jefferson Airplane”, “Janis Joplin”, “Carlos Santana”, “Country Joe and the Fish”, “Joe Cocker”, “The Who”, o indiano “Ravi Shankar”, “Joan Baez”, “Credence Clearwater Revival”, “Ten Years After”, “Blood, Sweat and Tears” e “Crosby, Stills, Nash and Young”.

 “Foi mais do que apenas um concerto de rock”, diz Lisa Law, a fotógrafa autora do livro – "Flashing on the Sixties – Quem Esteve no Festival de Woodstock nos dias 15 a 17 de Agosto de 1969”. “Foi muito lindo”, ela continua, “havia barro e lama por todo o canto e as pessoas cantavam suas músicas sem se preocupar com isso. Todo mundo ajudava todo mundo”.
Theodore Roszak, professor de história da Califórnia State University Hayward, aposentado e autor do livro "O Making da Contra Cultura: Reflexos na Sociedade Tecnocrata e seus Jovens Contestadores”, diz que a “sacudida” de Woodstock faz efeito até hoje. “Foi a maior e mais contundente crítica feita por alguém à cultura industrial desde os dias do Romantismo, no século XVIII. Todos os valores que a sociedade cultuava foram questionados. Foi um bom exemplo do impacto que uma imagem forte e dramática pode causar”, completa.

O Desafio Logístico

Quando os organizadores viram aquela multidão chegando levaram um enorme susto. Nem ingressos havia para tanta gente. Eles tinham que tomar decisões rápidas para acomodar de alguma forma todos aqueles malucos ou a coisa ficaria muito feia. Depois de várias reuniões e considerações, decidiram abrir os portões e transformar o evento num grande concerto “free”, que passou definitivamente a fazer parte da História como uma referência de comportamento.

As pessoas chegaram praticamente todas ao mesmo tempo e os estoques de comida e bebida da cidade esgotaram-se com a rapidez de um raio. Lisa Law reuniu um grupo de voluntários e passou a tentar comprar comida nas cidades vizinhas para alimentar toda aquela gente. "O que antes era um agradável passeio de vinte minutos de carro até a cidade mais próxima, naquele fim de semana passou a ser uma viagem de nove horas”, ela diz. Uma das soluções encontradas foi comprar cereais em grão, aveia em flocos, germe de trigo, uvas passas e outros ingredientes secos, misturar tudo e preparar grandes quantidades de “musly” para suprir as necessidades básicas de alimentação para tanta gente.

Quando o concerto começou, essa multidão estava espalhada por todas as colinas da fazenda. Além do problema da escassez de comida, a precariedade do sistema de atendimento de emergência montado também provocou tumulto e correrias, não só pelo pequeno número de médicos e pessoal especializado, mas também pela falta de áreas ideais para os procedimentos de emergência que começaram a ocorrer (principalmente "bad trips" de LSD) devido ao alto consumo de drogas. Os hospitais da cidade tiveram que montar esquemas paralelos de atendimento para auxiliar nesse trabalho. A polícia, sem condições de controlar tanta gente junta, passou a fazer vista grossa ao consumo de maconha, mas fez mais de uma centena de apreensões das drogas mais pesadas.

Aconteceram três mortes durante o festival: uma por overdose de heroína, outra por uma crise de apendicite e um outro espectador foi atropelado por um trator. Também foram relatados os casos de dois partos realizados.
Foi um acontecimento que ficou marcado para sempre na memória de cada um que teve contato com ele. Como um dos mais eloquentes símbolos da defesa da liberdade de expressão.






Hell´s Angels: moto´n´roll!
Motos e Rock’n’Roll são dois emblemas do inconformismo, da rebeldia e da contestação. Por isso se dão tão bem. Share in Facebook Share in Orkut Share in MySpace Share in LinkedIn Share in Digg Share in Delicious

Andam de mãos dadas em loucas aventuras estradeiras, nos shows “full time” em que se transformam todos os encontros motociclísticos (onde o hino oficial é sempre “Born To Be Wild”, do Steppenwolf) e na simbiose poderosa de energia que faz motores, corações, mentes, guitarras, contrabaixos e baterias pulsarem no mesmo compasso.

 Manifestações de rebeldia dos jovens, umas mais calmas outras mais radicais, sempre aconteceram.
Um movimento surgido no final da década de 40 nos Estados Unidos, após o término da Segunda Guerra, era do tipo radical e gerou a formação das primeiras gangues de motoqueiros, os chamados moto-clubes. Eram grupos de jovens que se reuniam para descarregar a adrenalina em andanças sem destino, arruaças, brigas, bebedeiras (verdadeiras orgias sexuais e alcoólicas) e baladas movidas a muitos e variados “ingredientes” de todos os calibres. Da inocente e corriqueira maconha aos petardos mais pesados, tudo rolava solto. As motos usadas por todas as gangues eram (e são até hoje) as Harley Davidson, de grande porte e cilindrada, possantes e intimidadoras, máquinas que acabaram se tornando o veículo oficial do movimento. Essas motos eram fabricadas desde 1903 e se tornaram uma legenda na indústria norte-americana durante a Segunda Guerra pelo seu bom desempenho e resistência em operações estratégicas realizadas nos terrenos difíceis das zonas de combate para onde foram enviadas. Todo jovem americano sonhava (e ainda sonha) ser dono de uma Harley.

Essas gangues foram ficando cada vez maiores e mais agressivas em suas atitudes e provocações à sociedade. Infernizavam as cidades por onde passavam detonando tudo, as leis, as autoridades, subvertendo todas as regras e convenções, e provocando pânico nas pessoas pacatas e provincianas, que se trancavam em casa quando ouviam o ronco dos motores anunciando a chegada daquelas hordas de encrenqueiros.

Fazendo História

O grupo mais famoso e temido de todos foi formado por jovens californianos e se chama, não por acaso, “Hell’s Angels”. "Anjos do Inferno", essa marca foi inspirada no nome de um esquadrão da força aérea norte-americana – o “Hell’s Angels Bomber B-17 Group” –, que realizou 364 missões de ataque e despejou 26.346 toneladas de bombas sobre os alvos inimigos. Imagine a cabeça desses caras quando voltaram pra casa. Existe até uma história afirmando que o grupo de motoqueiros foi fundado por ex-integrantes do esquadrão, mas isso não é verdade. Talvez alguns deles estivessem entre os fundadores. Mas, não foram os mentores da idéia.

O “HAMC – Hell’s Angels Moto Club” foi fundado em março de 1948 (ano em que eu nasci - nota do autor do texto), em Fontana, na Califórnia, onde começava a ferver o caldeirão da revolução cultural. Eles foram os pioneiros e os primeiros a interagir com o mundo do rock, fazendo a segurança dos shows (uma forma de assistir de graça e ainda faturar algum) de bandas que começavam sua caminhada na estrada da fama (Greatfull Dead e Grand Funk foram duas delas). Até hoje são considerados os mais ousados, audaciosos e violentos. Há facções e grupos afiliados espalhados em quase todos os países do mundo. No Brasil, há vários moto-clubes inspirados no modelo HAMC, e um dos mais radicais e representativos é o Abutres Moto Clube, de São Paulo, cuja história será contada um dia desses.

Violência e Drogas

Vários incidentes aconteceram em shows históricos – em Woodstock um jovem morreu assassinado a tiros e numa mega apresentação dos Rolling Stones realizado no mesmo ano de 1969, em Altamont, uma pessoa foi morta a facadas (cena mostrada no vídeo Gimme Shelter) - envolvendo integrantes da gangue e ficaram registrados como marca da sua intolerância e brutalidade. Muitas histórias de violência e pânico protagonizadas por eles chegaram às telas em produções patrocinadas pela indústria de Holywood.

A reputação da gangue, que sempre foi a pior possível nas áreas onde eles barbarizavam, se alastrou pelo país inteiro e ganhou espaço nos jornais internacionais com as denúncias feitas num relatório do Secretário de Segurança da Califórnia, Thomas C. Lynch, que considerou o grupo “inimigo público”. Ficou famoso esse relatório - Lynch Report -, que trouxe a público casos de estupro, vandalismo e brigas provocadas pelos motoqueiros, muitas delas, porém, ancoradas em testemunhos e evidências bastante questionáveis.
Um jornalista chamado Hunter Stockton Thompson, que também começava uma carreira polêmica e marcada por matérias revolucionárias sobre o comportamento humano, resolveu viver durante um ano e meio entre eles para confirmar, ou desmascarar, as afirmações do relatório. A idéia de Thompson para essa pauta era mostrar aos leitores até que ponto o Secretário havia se baseado na realidade, comparando trechos das denúncias com as suas experiências vividas com o grupo. Durante esses dezoito meses Thompson participou ativamente, como se fosse um deles, de todas as suas atividades “legais” e ilegais. Claro que foi inevitável o seu envolvimento com a questão do consumo de drogas e ele falou sobre isso na matéria que foi publicada em 1965 na revista Nation, de forma aberta e sem rodeios: ”Os Hell’s Angels insistem em dizer que não há viciados em drogas em seu clube, e, para todos os efeitos legais e médicos, isso é verdade. Viciados são centrados; sua necessidade física por qualquer que seja a droga em que estejam viciados os força a serem seletivos. Mas os Angels não têm foco algum. Eles devoram drogas como vítimas da fome soltas em um raro banquete. Eles usam qualquer coisa que esteja disponível e se o resultado disso forem gritos e delírio, então que seja”. Dá pra ter uma idéia da doideira da rapaziada!





Memória (HQ): Demolidor - A Queda de Murdock
Por Frank Miller e David Mazzucchelli Share in Facebook Share in Orkut Share in MySpace Share in LinkedIn Share in Digg Share in Delicious

Matt Murdock é um dos advogados mais respeitados dos EUA. Quando era garoto, ficou completamente e definitivamente cego ao salvar um senhor de um atropelamento por um caminhão que transportava produtos tóxicos.  O menino foi exposto a uma carga radioativa que tombou do veículo e lhe tirou a visão, mas em contrapartida, o tal material acabou ampliando centenas de vezes seus outros sentidos - tato, audição, olfato. Exímio atleta, Murdock treinou muito e aprendeu a controlar seus sentidos super aguçados com a ajuda de um mestre das artes marciais. Então, para vingar a morte do pai e combater o crime, criou um uniforme de aspecto demoníaco e assumiu a alcunha de Demolidor.

Durante anos, o Demolidor (assim como seu amigo Homem-Aranha), foi uma pedra no sapato de Wilson Fisk - um poderoso gângster conhecido como Rei do Crime. Certo dia, a identidade secreta do Demolidor é vendida - por uma dose de heroína - a um traficante por sua ex-namorada que se tornou uma prostituta viciada em drogas. Não demora muito para que o valioso segredo chegue aos ouvidos de Fisk, o chefão do crime e de todo submundo de Nova York.

O vilão utiliza todos os seus recursos para executar um minucioso plano que faz com que o brilhante advogado perca seu dinheiro, seu prestígio, seu emprego, sua namorada, sua dignidade, sua casa e por fim, sua sanidade. O Homem Sem Medo chega ao fundo do poço acreditando que todos - incluindo Foggy Nelson, seu melhor amigo - conspiraram contra ele. Com a desconfiança de que tudo foi armado pelo Rei do Crime, o furioso Matt parte em busca de vingança. Resultado: enfraquecido e confuso mentalmente, nosso herói leva uma surra federal do volumoso gângster e é jogado à beira da morte numa baía, dentro de um táxi roubado. Sádico e cruel, Wilson Fisk está feliz da vida e acha que se livrou de seu pior inimigo em grande estilo.

Porém...

Uma das maiores obras primas dos quadrinhos, A Queda de Murdock (Born Again) é considerada a melhor história do Demolidor. Escrita pelo consagrado Frank Miller e desenhada pelo competente David Mazzucchelli, a história se tornou uma das maiores influências dos quadrinhos e continua mais atual, tensa e divertida do que nunca.

A decadência do herói é ilustrada no começo de cada capítulo, sempre mostrando Murdock deitado - da confortável cama, passando por um hotel imundo e fuleiro até uma literal sarjeta. Depois, o vemos num leito de enfermaria, se recuperando após ser resgatado por uma doce e misteriosa freira (onde é revelado um antigo mistério da vida do Demolidor) e no começo do capítulo seguinte, ele já está de pé - firme, forte e recuperado - diante de um saco de pancadas tombado no chão pela força de seus punhos. Essa cena genial, simbólica e antológica ilustra da melhor maneira possível a volta por cima de um homem que venceu seus próprios limites.

O Rei do Crime descobre que Murdock ainda vive e contrata um louco e anabolizado soldado patriota, conhecido como Bazuca, para eliminá-lo de uma vez por todas. Então, numa grande sacada do roteiro, o Capitão América entra em cena para ajudar o Demolidor a enfrentar essa nova ameaça - que parece ser uma malsucedida tentativa do governo americano de recriar o Projeto do Supersoldado. A trama ainda foca a luta de Ben Urich, jornalista do Clarim Diário, que tenta provar que seu honesto amigo Matt Murdock está sendo vítima de uma conspiração e acaba colocando sua própria vida em risco.

A parceria de Miller e Mazzuchelli ainda renderia o igualmente clássico Batman: Ano Um, considerada a melhor história de origem do Cavaleiro das Trevas

Publicada pela primeira vez por aqui em 1986 (em capítulos) na revista Superaventuras Marvel (da Editora Abril), a história ganhou uma edição própria pouco tempo depois e outra reedição em 1999. A Panini lançou, no ano passado, o belo encadernado de luxo Demolidor - A Queda de Murdock com a história na íntegra, formato original, ótima impressão, páginas com os esboços de Mazzucchelli...  A publicação ainda pode ser encontrada nas melhores livrarias e revistarias do país. A minha, eu já garanti!





On the Road (Pé na Estrada) - Jack Kerouac
Nosso personagem desta crônica é o escritor Jack Kerouac e sua obra mais representativa: “On the Road”. Share in Facebook Share in Orkut Share in MySpace Share in LinkedIn Share in Digg Share in Delicious

Da mesma forma que o rock’n’roll quebrou as tradições musicais e propôs uma nova estética em que o barulho, a “sujeira” do som, tinha tanto a ver com o resultado final quanto a harmonia, a literatura produzida pelos integrantes da “Geração Beatnik” também subverteu a maneira tradicional de escrever e propôs uma nova linguagem narrativa e uma nova abordagem na análise da condição humana. Esses autores tomaram como exemplo suas próprias vidas, dúvidas, desassossegos, pânicos, revoltas e angústias, mostraram seu lado “selvagem” e anti-social de viver, e produziram obras marcantes e cheias do mesmo vigor da batida, da “beat” do rock. Ambos, rock e beatnik, são carregados da mesma “vibe” rebelde contra os valores estabelecidos. Ambos são viscerais e expõe o nervo do dente. Machucam, contestam e propõem novos valores. Por isso, revolucionaram e provocaram uma transformação tão marcante no comportamento das pessoas no mundo inteiro.

Nosso personagem desta crônica é o escritor Jack Kerouac e sua obra mais representativa: “On the Road”, que no Brasil recebeu o nome de “Pé na Estrada”. Jean-Louis Lebris de Jack Kerouac nasceu em 12 de março de 1922 em Lowell, Massachussetts, de origem franco-canadense. Quando Kerouac ingressou na universidade sua intenção era seguir a carreira esportiva e se tornar um astro de futebol americano. Mas, depois de amargar um longo tempo mofando no banco de reservas da equipe, convenceu-se de que não levava mesmo jeito pra coisa e desistiu da idéia. E também não conseguiu segurar a onda dos estudos: ele e o poeta Allen Ginsberg, seu companheiro de vida e aventuras, foram expulsos por mau comportamento e acusados de "baderna".

Nessa época, influenciado pelo comportamento de outro jovem do grupo, William Burroughs, começou a se interessar mais pela literatura clássica americana e pelos livros de escritores europeus como Kafka e Rimbaud. Foi também quando conheceu Neal Cassady, que se tornaria seu grande amigo, parceiro de “viagens” e personagem de seus livros. Jack Kerouac e Neal Cassady perambulavam juntos pelas ruas de Nova York, carregados de livros, fumando quilos de maconha, observando o comportamento das pessoas e aprendendo a vida nas entrelinhas dos textos que devoravam, sempre insatisfeitos, irrequietos e contestadores.

Em 1957 publicou “On the Road”, livro escrito de maneira compulsiva em 1951, que é considerado até hoje a sua obra prima. Do impulso inicial de escrever a história até o seu ponto final, foram apenas três semanas de trabalho insano, datilografando tudo num grande rolo de papel de telex (estaria ele antecipando os computadores, onde também escrevemos num “rolo” sem fim que vai girando na tela e apresentando sempre novas folhas como num formulário contínuo e infinito?). Ele justificava essa maneira estranha de escrever dizendo que: "...quando escrevo narrativas e quero mudar minha linha de pensamento, eu não preciso parar...". Dizia constantemente que todos os seus livros faziam parte de uma grande obra que estava em constante crescimento e que cada um deles não passava de um capítulo dessa história comprida que, no futuro, ele pretendia reeditar como um todo.
 
“On The Road” não é um romance revolucionário em termos de linguagem. Sua grande sacada é o modo como foi escrito. Parece que o autor sentou para escrever ouvindo um disco de solos de jazz (Miles Davis e Charlie Parker eram seus preferidos) e deixou os pensamentos escorrerem da mesma forma que a música era tocada, usando frases longas, improvisadas e sem pontuação. A história conta um ciclo de grandes viagens que Kerouac fez procurando a verdadeira América. De cara conhecemos Dean Moriarty (personagem inspirado em Neal Cassady), guru da geração, rebelde, louco, anarquista, e amante da vida. As aventuras destes dois amigos e de tantas pessoas que eles encontraram no caminho pelas estradas da América fizeram, e fazem até hoje, a cabeça de jovens no mundo inteiro com frases carregadas de inquietude e disposição para descobrir o novo: "Nossas malas estão na calçada de novo. As estradas eram mais longas, mas não importava. A estrada é a vida".

Jack Kerouac escreveu ainda diversos livros: “Os Subterrâneos”, “Big Sur” (estes editados no Brasil, mas há muito esgotados), “The Dharma Bums”, “O Livro dos Sonhos”, “Viajant3e Solitário” entre tantos outros, sempre contando histórias de personagens da cultura beat. Morreu em 1969, no mesmo dia do aniversário do músico jazzista Dizzy Gillepsie. A causa da sua morte foi uma hemorragia provocada por uma perfuração no estômago, provavelmente em conseqüência dos excessos com a bebida.

Baseado no romance clássico de Jack Kerouac, Walter Salles (Diários de Motocicleta), dirigiu recentemente a versão cinematográfica da história, ainda sem previsão de estréia.







You are on page 1 of a total of 1.








Siga-nos:  
AlôArtista.com no Twitter AlôArtista.com no Facebook AlôArtista.com no Orkut AlôArtista.com no MySpace AlôArtista.com no LinkedIn
About Us |  Contact Us |  Terms of Use |  Abusive Content |  Aknowledgements |  Português |  Español AlôArtista.com - © Copyright 2010 - 2013
All Rights Reserved
Designed by Tratto / Elemento Digital